A Rosa e seus dois Cravos
Eu havia tomado minha decisão. Resolvi declarar o meu amor por Amanda. Ah, Amanda. Aquela ruivinha, dos olhos cor de mel, que mexia com meu coração. Aquela menina brincalhona e divertida que deixava todos derretidos com tanta meiguice. Eu já sabia o que fazer. Amanda era minha amiga, entenderia perfeitamente se eu quisesse ficar sozinho com ela por uns instantes. Só para uma boa conversa. Esta seria a minha oportunidade.
Na segunda-feira, eu a encontrei no lugar de sempre, em nossa sala de aula, sentada na quinta cadeira da quarta fila. Ela conversava graciosamente com meu amigo Zé, que sabia muito bem dos meus sentimentos de afeto por Amanda. Eles estavam submersos em uma conversa e eu tive a estranha sensação de um envolvimento.
Cumprimentei Amanda e meu amigo que, ligeiramente, ao notar minha presença, afastou-se dela, como se eu não tivesse percebido a sua exagerada aproximação anterior. Durante as aulas, eu tremia esperando pelo horário do intervalo, tinha que dar um jeito de levar Amanda para um lugar mais calmo, na expectativa de poder dizer a ela tudo o que eu sentia verdadeiramente.
Quando finalmente chegou a hora, corri para Amanda e pedi que me acompanhasse. Nunca havia transpirado tanto em minha vida. Aposto que parecia branco como papel. Ela sorriu e me pediu que aguardasse, enquanto guardava seus pertences com tanta delicadeza que por um momento eu desejei ser aquele material. Queria pertencer a ela.
- Amanda, preciso te dizer algo que há muito tempo deveria ter dito.
- Tudo bem, Lucas. Mas não faça muito suspense. Você sabe, fico logo preocupada e...
- Eu te amo.
- Ah, Lucas, eu também te amo. Mas me conte logo, eu ainda preciso falar com o Zé. Acho que nós vamos sair no sábado. Ao cinema, sabe? Acho que ele também está afim de mim. Não queria te dizer antes, pois eu não queria parecer “a menininha apaixonada” por uma pessoa que nem liga pra mim. Mas agora eu percebi que rola mesmo uma atração entre nós dois.
Não, não era aquele eu te amo. Esse era o de amigo. Eu amava Amanda assim como amava a minha vida. Queria compartilhar meus dias, minhas vitórias e frustrações com ela. Queria passar dois terços do meu dia com ela. Queria que ela fosse minha. E o Zé... Tinha que ser o Zé? Ele que me apoiara em todo momento na minha decisão de contar a Amanda o que eu sentia. Eu não podia acreditar. Eu não queria acreditar.
-Tudo bem então, Amanda. Depois nós conversamos.
Eu sentia aquela raiva impregnar a minha mente e meu coração e a única coisa que eu conseguia pensar era em como me vingar do Zé. Zé, seu falso miserável. Andei em direção ao meu grupo de amigos e consegui avistar Zé no meio daquela roda.
- Zé, tá a fim de jogar uma pelada sábado?
- Err, talvez nem dê Lucas...
- Ah, qual é, Zé? Todo mundo já combinou e...
- Eu vou sair com a Amanda.
Eu podia sentir os olhares que todos lançaram naquele instante pra mim, mas meus olhos mergulhados em cólera só se direcionavam aos de Zé. E naquele momento, eu perdi o controle. Voei em cima dele e peguei seu pescoço. Nada importava pra mim. Eu queria matar aquele traidor.
Eu havia perdido um amigo. Talvez até uma amiga, se um dia ela chegasse a entender o que havia acontecido aquele dia.
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Eu tô um pouco (mentira, tô muito) sem tempo de escrever aqui, então vim postar um texto de uma proposta de redação da professora lá da escola x)
Bjos ;*
e obrigada pra quem teve paciência de ler essa baboseira =D
Um comentário:
Já disse o que achei o teu conto ;)
;***
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